TEMA

BRASIL DE FACHADA?

No século XX, o modernismo oficializa-se como estilo internacional. Durante a década de cinquenta, nota-se o início de seu declínio ideológico enquanto que no Brasil o movimento ganha novas singularidades e uma notória visibilidade internacional. Mais e meio século depois, junto às crescentes inovações técnicas e a consolidação do sistema  globalizado, interrogamos como sucedeu a arquitetura brasileira nesse intervalo de tempo, como ela é identificada na contemporaneidade e se ainda existe o predomínio da estética moderna em nossas bases projetuais.

Os modelos estrangeiros fundamentaram não só a arquitetura moderna mas estilos precedentes revelando uma forte influência internacional na forma como concebemos e avaliamos a arquitetura e o urbanismo nacional. Hoje, essa influência é acentuada pelo contexto de integração econômica, social, cultural e política.

Vivenciamos um período marcado pela instantaneidade das informações permitindo uma integração entre métodos projetuais em escala global, “diminuindo” as distâncias físicas impostas ao ser humano e proporcionando a análise de projetos que antes eram condicionados a lugares específicos. Contudo, juntamente às novas possibilidades, arrisca-se a uma perda de concordância do desenho com as particularidades do local no qual é inserido, induzindo a criação de uma arquitetura genérica, a qual como uma agência matrimonial “concilia eficazmente a oferta e a procura”.

Mediante a essa ampla generalidade ainda é possível encontrar singularidades regionais. Identifica-se, por exemplo, determinadas similaridades entre a arquitetura brasileira e a de outros países sul-americanos. Tal parecer pode ser associado a determinadas condições análogas, como a história e o desenvolvimento socioeconômico, encontradas nesses países. Nessa realidade, teria a América Latina uma identidade arquitetônica?

Mas afinal, teria o Brasil uma identidade arquitetônica? Sabe-se que a arquitetura e o urbanismo são referenciais para a construção da identidade de uma região, pois pertence simultaneamente ao passado e ao presente. Sendo assim, é possível reunir qualidades atuais com o valor acumulado de uma produção histórica. Seria então, o papel do arquiteto e urbanista dominar essas duas coordenadas, inserindo-se num processo que é ao mesmo tempo histórico e dedicado ao futuro?

¹KOOLHAAS, Rem. La ciudad generica. Barcelona: Gustavo Gili, 2006. 62 p.

SUZUKI, Juliana Harumi. A questão da Identidade na Arquitetura Latino-Americana: elementos para reflexão. 2002. Disponível em: <www.pgsskroton.com.br/seer/index.php/exatas/article/download/1242/119>. Acesso em: 01 abr. 2018.

LAGO, André Corrêa do; CAVALCANTI, Lauro. Ainda moderno? Arquitetura brasileira contemporânea. 2005. Disponível em: <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.066/404&gt;. Acesso em: 1 abr. 2018.

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